A SOCIALIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO Instrução popular e qualificação profissional no Estado de São Paulo (1873-1934)
Carmen Sylvia Vidigal Moraes
Editora Lutas Anticapital
2025
Capa de Livro

"(...) Se descontarmos aquela rara primeira edição, o livro que agora temos em mãos esperou mais de três decênios e sua publicação é o coroamento de uma carreira de estudos e combate pela educação brasileira. O Brasil é um desses paradoxos em que a objetividade científica exige a tomada de partido quando se trata da educação pública. Estudá-la é defendê-la como o demonstraram Anísio Teixeira, Fernando Azevedo e Florestan Fernandes. A honestidade intelectual, como dizia Florestan, consiste em afirmar nosso ponto de partida teórico e não em escondê-lo. Dessa maneira, a autora, nesse meio tempo, produziu conhecimento rigoroso, interveio nos grandes debates em defesa da escola pública e formou milhares de alunos e alunas.
A nova edição é um presente a nós leitoras e leitores. Trata-se de obra ímpar pelo primor da pesquisa. Ela se nutre de mensagens presidenciais, anuários estatísticos, livros de matrículas e demais documentos de arquivo morto de antigas escolas paulistas. A bibliografia a um só tempo revela o extenso repertório da autora em sua fase inicial como doutoranda e o momento em que escreveu, quando ainda era essencial revisitar os clássicos do pensamento social brasileiro e da produção acadêmica. Infelizmente, essa não é mais a regra.
A autora trata de um momento delicado da história brasileira na transição do escravismo ao assalariamento da força de trabalho. E nesse processo, seu ângulo é privilegiado: como a educação foi pensada e posta em prática pelas elites face às necessidades de disciplinamento e formação profissional da classe trabalhadora. Para isso, analisou liceus, escolas normais *da maçonaria, a atuação pedagógica da Liga Nacionalista, os seminários, institutos disciplinares, cursos profissionais e a própria dinâmica do mercado de trabalho {...)"
(do prefácio de Lincoln Secco)
